Friday, 31 August 2007

Ficar cansado é sempre bom para uma reavaliação.



Sempre que temos o prazer de contar com a gentil participação de algum convidado na sexta, é sempre uma nova descoberta. Saber um pouco da trajetória destes profissionais, no mínimo nos estimula, e só vem a somar no nosso dia-a-dia. Hoje, nosso convidado é Julius Wiedemann, carioca e com muito ‘gás’ nas veias. Sim, referência de talento atrelado à determinação. Sucesso sempre para o Julius, até a próxima!

“Depois de ter começado a estudar design na UFRJ e Marketing na Faculdade da Cidade, e parado depois de alguns semestres em ambos os cursos, eu fui para o Japão acompanhando minha esposa, carregando uma bagagem de trabalho em design gráfico e publicidade. Chegando lá, pra evitar de ficar de braços cruzados, eu fiz uma entrevista num Jornal que atendia ao mercado brasileiro no Japão (que tem em torno de 200.000 pessoas), começando como designer/diagramador e me tornando editor de arte depois de seis meses, e comandando um pequeno time de cinco designers.”

“Depois de um ano e meio e já meio cansado da rotina (uma constante na minha vida), fui convidado pra ir trabalhar numa editora Japonesa, que apesar de ser pequena, tinha um programa de livros e revistas que tratavam de computação gráfica e 3D de maneira bastante sofisticada. Foi aí que realmente comecei a olhar pra frente e ter uma visão do desenvolvimento dessas áreas como um todo. Foi também nessa época que eu acho que comecei a entender que o meu caminho era o estudo da relação entre cultura, tecnologia, e comunicação.”

“Em 2001, cansado mais uma vez (ficar cansado é sempre bom para uma reavaliação, e não vale a pena ficar cansado por muito tempo, ao meu ver), decidi que queria ir pra Europa e tive 1% de fator de sucesso, já que mandei 200 CVs e consegui dois empregos.”

“Comecei na TASCHEN em Março de 2001, ainda morando no Japão, e me mudei para Colônia, na Alemanha em Maio, onde já estava com o primeiro livro em pleno andamento. Nossa idéia inicial sempre foi fazer uma coleção digital (termo que é até meio contraditório levando em consideração que fazemos tudo impresso), mas isso se modificou ao passo que nos demos conta de que tudo em expressão visual, design, cultura popular, etc. O termo digital passou por essa fase de definir uma certa linguagem nos anos 90, quando o computador se tornou “mainstream" em linguagem, sobrepujando sua condição de ferramenta, o que hoje voltou a ser visto como a realidade."

“Já estou há seis anos na TASCHEN e desde então minha função tem sido estabelecer um programa de livros em área de comunicação visual, indo de propaganda a ilustração, de design gráfico a web design. Quando eu conversei com o Benedikt Taschen a primeira vez, ele apenas me disse pra eu mandar um proposta de uns 20 títulos. Fiz isso dentro de 8 horas e depois de três semanas eu comecei a pesquisar para o primeiro título.”

“Estou morando em Cambridge, na Inglaterra (desde de Dezembro de 2006), já que a minha esposa agora faz seu doutorado aqui, tenho dois filhos incríveis, Pedro e Joana, que me ensinam demais todos os dias, e tento coordenar tudo daqui mesmo com o escritório na Alemanha. Com FEDEX, broadband, e um notebook, quase tudo é possível hoje em dia. Já consegui fazer em torno de 20 livros, e isso pode até parecer muito, mas se você faz o que gosta, você também se diverte. Isso é muito importante. Humor é um grande combustível”.



Julius Wiedemann, brasileiro, editor da Ed. Taschen (Alemanha), trabalhando atualmente em Cambridge, na Inglaterra.









0713

1 comment:

Rennan Ravanelli said...

"...e isso pode até parecer muito, mas se você faz o que gosta, você também se diverte. Isso é muito importante. Humor é um grande combustível”.

falou tuuuudo
bela publicação will
parabénss