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Tuesday, 27 May 2008

Desabafos 60 - "O paradoxo"



É lindo,
único.
Também triste,
vezes maravilhoso,
outras ruins.
As saudades,
que esquecimento.

Não condeno,
apenas vivo.
Nem acredito,
não prometo.
São instantes,
talvez momentos.
Pode não ser nada.

Que não seja,
e não venha.
Mas que fique,
quando vir.
Mero acaso,
pouco caso.
Um faz de conta.

Você,
o poema,
a escrita,
ilusão.
Isto,
digo.
Paradoxo.




willians de abreu

Wednesday, 21 May 2008

Desabafos 59 – "Alzheimer"



Olhe Quixote,
perdido alucinado.
Vou ao reinado,
num galope acolhedor.
Armadura guarnecida,
um embuste assustador.
Sou eu madame.

Roleta cinco,
sorte no cassino.
Aposte senhor,
não compre fichas.
Empresário ou presidente,
papai Noel não lembro.
É sem identidade.

Café fresco,
torradas e margarina.
Mas vinha de onde,
era da esquina.
Venho da estrada,
o sítio fica ali.
E o castelo?

Guarda real,
e as torres.
Você é louco,
parada de ônibus.
Sou rei insolente,
tenha modos.
É Alzheimer.



willians de abreu

Wednesday, 14 May 2008

Desabafos 58 – “Não quero”



Não quero apenas,
porque quero.
Sem desejar,
não te ter.
Nem lua,
sem estrelas.
Não quero.

Ficar sem sentir,
amor por você.
Solitário em casa,
alucino na razão.
Um amar feliz,
inexiste sofrimento.
Não me iluda.

Se não for verdadeiro,
jamais aconteça.
Nunca poderá escolher,
nem pouco esperar.
Serás inquietude,
ou destino a moldar.
Será você.

Serão nossos,
ruídos impensáveis.
Caricias falsas,
cartas fajutas.
Não seja apenas,
um bel canto.
Simplesmente não.



willians de abreu

Wednesday, 7 May 2008

Desabafos 57 – “Terra prometida”



Terra prometida,
terra minha.
Vinda da terra,
forma a casa.
Que casa,
não tem terra.
Não tem nada.

Sem vida,
tudo seco.
Partido,
inditoso.
Desfalecido,
murmurante.
Um sem posse.

Onde morto,
convicto.
Caia a flor,
instante alívio.
Caio eu,
sozinho.
Tolo despercebido.

Promessas,
são fajutas.
É mentira,
sem verdade.
Não há ninguém,
credibilidade.
Prometida.




willians de abreu

Tuesday, 29 April 2008

Desabafos 56 – “Apago as luzes para ver”



Com luzes apagadas,
posso sonhar.
Ver caminhando,
sentir você aqui.
Na loucura espacial,
há ternura em mim.
Sóbrio no fim.

É fechar os olhos,
deixar fluir.
Toque de mágica,
fada amante.
Não quero acordar,
deixando escapar.
Minha mente pensante.

Vivendo sozinho,
no real quem quiser.
Na escuridão,
acompanhado permaneço.
Envolvido nos braços,
fico protegido.
Não me deixe ver.

A luz acesa,
o fim da noite.
A sua despedida,
me causa agonia.
Anoiteça novamente,
preciso ter você.
Entrelaçada junto a mim.




willians de abreu

Thursday, 24 April 2008

Desabafos 55 – “O lixo que sufoca a cidade”



Sujeira,
imundice.
É estupidez,
sem-vergonhice.
Sujeito ignorante,
tremendo arredio.
Esdrúxulo meio fio.

Mal educado,
inconsciente.
Sem percepção,
maldito preguiçoso.
Sem classe,
esculacha sarjeta.
Seu lixo empreita.

Não vê,
o cesto ali.
É cego,
visão infeliz.
Anda e suja,
suja e anda.
Feitio podridão.

Acorda,
o mundo pede.
Lixão que fede.
Humano hostil.
Seu lixo fere,
cidade morta.
Sufoca a vida.



willians de abreu

Wednesday, 16 April 2008

Desabafos 54 – “O febril”



É tremedeira,
uma inquietação.
Alucinado,
soando frio.
No delírio,
um pasmado.
Apenas febril.

Dor incessante,
esta fraqueza.
Noite longa,
com tristeza.
Enfermidade,
que me cerca.
Rodopia toda mesa.

A tontura,
mal estar.
É fatigante,
esmorece.
Desfalecido,
sem forças.
Um suspiro.

Doente solitário,
desguarnecido.
No quarto,
vela a cama.
Ouça o gemido,
encoberto agasalhado.
Madrugada de febril.




willians de abreu

Tuesday, 8 April 2008

Desabafos 53 – “Câncer Maldito”



Destrutivo maldito,
carnívoro insaciável.
Asqueroso infeliz,
maléfico corrói.
Aniquila sem pena,
é triste ruim.
Um ente desfalecido.

Que luta,
busca viver.
Na esperança,
acordar bem.
Vem à noite,
o desespero.
Não há cura.

Você ainda linda,
esqueça o cabelo.
Preserve seu sorriso,
ignore as marcas.
Vença a tristeza,
dores que te cercam.
Mantenha vivo o sorriso.

Seu tesouro,
em outro lugar.
Longe do desânimo,
desta maldade.
Lembre-se de mim,
aperte a minha mão.
Descanse na imensidão.




willians de abreu

Tuesday, 1 April 2008

Desabafos 52 – “Passos Paulistanos”



Passos acelerados,
corridos fumegantes.
Sopra puxa,
assopra o abafado.
Na estação,
no corrimão.
Sou eu articulado.

Cabeça erguida,
olhar infinito.
Lúcido ligado,
enobrece atenção.
Passagem desconhecido,
solitário na multidão.
Corre segue a fila.

Com licença,
trago a mochila.
Mera parada,
um cochilo.
Não durma não,
antenado sempre vindo.
Meu passo apertado.

Sobe a esquina,
prossegue escadaria.
O trem apita,
o metrô correndo.
É o seu dia,
todo o momento.
Passos paulistanos.



willians de abreu

Tuesday, 25 March 2008

Desabafos 51 – “Conquista”



Difícil ter você,
é sacrificante.
Doloroso,
tempo penoso.
Agonia agonizante.
A espera,
seu momento.

Faz-se rara,
tão distante.
Longe reflexão,
perceptível na fé.
Busco te ter,
conseguir ao fim.
Vitória ao menos.

Improvável,
ás vezes.
Não impossível.
Basta luta,
ofereço garra.
Na certeza,
chegar lá.

Te tenho,
recebo.
Ganho,
eu chego.
É luta,
sim creio.
Conquista.




willians de abreu

Tuesday, 18 March 2008

Desabafos 50 – “Oráculo”



Meu refúgio,
um encontro.
Busco forças,
faço-me rocha.
Venho te sentir,
é o meu lugar.
Estou lúcido.

No silêncio,
vazio ambiente.
Muito se ouve,
imenso aprendiz.
Reina fortaleza,
cativa-me o olhar.
Refrigério da alma.

Marque as palavras,
reverência ao pisar.
Santuário místico,
irradiante energia.
Postado ao altar,
acolhida ternura.
Humilde ao receber.

Toda a garra,
sua benção tenho.
Vejo o caminho,
claro como o sol.
Como chama,
irei seguir.
Oráculo no fim.



willians de abreu

Tuesday, 11 March 2008

Desabafos 49 – “Inconformidade”



Procuram e procuram,
não te aceitam.
Você não é conforme,
fora das especificações,
projeto perdido.
Mal visto,
é obsoleto.

Rodam soberbos,
sem chance.
Não te vêem,
são esnobes.
Ignoram,
seu talento,
barram você.

Forme inconforme,
fora daqui.
Não queremos,
habilidades.
Sem vez,
inexiste momento.
Alarme o sofrimento.

Males importunos,
asqueroso infeliz.
Pérfido injusto,
insensível tolo.
Assustado,
fracassado.
Não conforme.




willians de abreu

Tuesday, 4 March 2008

Desabafos 48 – "A vinda"




Existem coisas inexplicáveis,
você entende e sabe.
Se questiona para que,
pergunta-se o dia inteiro.
Onde e por onde.
Deverei ir ao chegar,
seria força da indagação.

Caminhos imagináveis,
vistos em sonhos.
Utopia de criança,
inquietação adulta.
Perseverança madura,
insolidez prematura.
Esquinas não curvas.

Chegando sobre fé,
apegando-se na luta.
Do alto na janela,
labuta leve insônia.
Permaneço posto firme,
enraizado e tão concreto.
Vejo você aqui de cima.

Trazendo a vinda,
retorcendo o coração.
Marcando o meu rosto,
posto em pé de prontidão.
Alvejando um sorriso,
aperto bem a sua mão.
Em meio à multidão.





willians de abreu

Tuesday, 26 February 2008

Desabafos 47 - "Escroto cidadão"




No ralo imundo,
ignorante sobrevive.
Pérfido e estúpido.
Sem conhecimento,
nenhuma vontade.
Ambulante vivente,
burro extremo.

Se considera,
auto-suficiente.
Mantém arrogante,
pobre insolente.
Tão confiante,
sem grade,
não tem batente.

Fraco espírito,
infame repugnante.
Disforme incoerente.
Mortal e soberbo.
Mal educado.
Extinto parasita,
apenas número.

Nas filas,
nos ônibus.
Em meio às ruas,
públicas repartições.
Disfarçado e diplomado.
Horrendo miserável,
escroto cidadão.





willians de abreu

Tuesday, 19 February 2008

Desabafos 46 – "Palavras"



Dizer o que se deve dizer,
falar tudo que se deve ouvir.
Deixar claro a você,
palavras para não te perder.
Minhas falas a te envolver,
letras que me levam.
Carismas para sentir.

Dizeres dos meus lábios.
Formatos e escritas,
diálogos e poesia.
Um mero escriba,
copista de poemas.
Esmero factista,
angústia a sua conquista.

No alto do prédio,
dos dizeres nos muros.
Rabiscos esferográficos,
um postit amassado.
Fala no pequeno recado,
o quanto te quero.
Redigindo deixo gravado.

São falas, são frases.
São trechos, meus desejos.
Do que quero quando te vejo.
Dizendo para abrir,
escrevendo não te esquecer.
Sinopse do seu jeito,
são apenas minhas palavras.





willians de abreu

Tuesday, 29 January 2008

Desabafos 45 – “Reciclagem”



Reciclagem,
sujeira,
a falta.
Educação,
respeito,
harmonia.
Conscientização.

Povo sereno,
comprometimento.
Compaixão,
preservação.
É zelar,
carinho,
é preservar.

Respeitar,
ser ordeiro.
Amar,
saber usar.
Sem prejudicar,
reaproveitando.
Sendo Cidadão.

Contribuindo,
fazendo,
construindo.
Mundo melhor,
sua casa,
tua vida.
Recicle-se.





willians de abreu

Tuesday, 22 January 2008

Desabafos 44 - “Olhares”



Olhares,
frente olhares,
como os seus.
Singelos,
penetrantes,
intensos.
Me detém.

Hipnotizam,
leva e direciona.
Que tom,
perfeição.
Carisma,
zeloso,
meu amor.

Bondade,
dádiva,
essência.
Que pisca,
irradia.
Transmite,
natureza.

Paz,
suavidade.
Que me conquiste.
Na eternidade,
entrelaçada.
Pureza,
seus olhares.





willians de abreu

Tuesday, 15 January 2008

Desabafos 43 – “Seus tiques”



Tiques involuntários,
calculados ou refletidos.
Mordidinha de lábio,
torcidinha de queixo.
Piscadinha incessante.
Este teu jeito,
envolve ao meu desejo.

Seu olhar inibido,
lábios delineados.
Atrás destas lentes,
um lugar encantado.
Sua voz aguda,
sempre serena,
me faz intrínseco.

Ao meu intimo,
ostenta carinho.
Opulência sentimental.
Repleta e rodeada,
sorrisos e encantos.
Organela do coração,
dela vem a inspiração.

Me detenha,
conquiste.
O faça único.
Registre,
belo momento.
No talento,
destes tiques.





willians de abreu

Tuesday, 8 January 2008

Desabafos 42 - "Idiossincrasias"



Não tenho mais,
tolerância, afeto,
nem pouco carinho.
Em meio,
ao novo.
Tecnologias.
São avanços.

Retardatários,
sem amor.
Tudo se foi.
Veio a liberdade.
Instabilidade e
supremacia.
Futuro sem família.

Sem complacência,
tirania.
Sentimento carnal,
hipocrisia.
Não tem núcleo,
São sintomas,
desindustrialização.

Mundo sintético,
era dos serviços,
do faz de conta.
Sem par fixo,
orgias e enganação.
Fingir meu amor,
Mais parece atração.




willians de abreu

Tuesday, 18 December 2007

Desabafos 41 - "Mulher Amazônia"



Você bela,
linda.
Deslumbrante,
emociona.
Fostes maravilhosa.
Viva radiante.
Perfume inigualável.

Que lindos,
olhos verdes,
corpo robusto.
Curvas intangíveis.
Cativante,
conquistadora.
Era você Amazônia.

Pena,
dor e sofrimento.
Enganada,
explorada e maltratada.
Homens cruéis,
insaciáveis
molestada fora.

Malditos,
aproveitadores.
Assassinos e hipócritas.
Mataram lhe,
com crueldade.
Sem piedade,
você deixou de existir.






willians de abreu